Seu sabor era doce. Não se sentia mais nervosa, sentia-se em casa quando aspirava ao cheiro suave da pele tão branca tingida com pequenos pontinhos ferrugem. Não o achava mais inalcançável, sentia-o como uma parte dela. Era totalmente dele, e ele dela. Um cantor jamaicano fazia a trilha sonora daquela tarde quente e as paredes enfeitadas com Dali criava um cenário afetuoso. Naquela rede fria, sentia o corpo fervente dele, e se abrigava. Não escondeu nada dele, ela deixava sua alma exposta e deslizava nas pernas dele. As linguas se confundiam e bailavam.
Estava perdida, começava a sentir o formigamento de um sentimento forte demais por aquele rapaz, que vinha de tão longe e ia embora ao amanhecer. Sabia que não seria para sempre aquela tarde, mas encontrou a eternidade nos seus braços. Derramou gemidos de prazer no ouvido dele, e adormeceram juntos.
Ela sem querer acordar, levantou quando já não havia claridade no céu. Deu o último beijo no seu adormecido e sussurrou um adeus entristecido. Pegou a mochila e fugiu daqueles sentimentos loucos que entorpeciam seu coração inexperiente. Ao passar pela porta da casa dele, Alice rezava para não doer tanto quando despertasse do seu País das Maravilhas.